MINHA MÃE ME LEVOU AO AEROPORTO COM AS JANELAS DO CARRO abertas. Fazia 24 graus em Denver,
o céu de um azul perfeito e sem nuvens. Eu estava com minha blusa
preferida __ sem mangas, de renda branca com ilhoses; eu a vesti como um
gesto de despedida. Minha bagagem de mão era uma parca.
Na península Olympic, do noroeste do estado de Washington, há uma cidadezinha chamada Mystic Falls, quase constantemente debaixo de uma cobertura de nuvens. Chove mais nessa cidade insignificante do que em qualquer outro lugar dos Estados Unidos. Foi desse lugar e de suas sombras melancólicas e onipresentes que minha mãe fugiu comigo quando eu tinha apenas alguns meses de idade. Nessa cidade eu fui obrigada a passar um mês a cada verão até ter 14 anos. Foi então que finalmente bati o pé. No últimos trẽs Verões, meu pai, Jonh, passou duas semanas de férias comigo na Califórnia.
Era em Mystic Falls que agora eu me exilava __uma atitude que assumi com muito pavor. Eu detestava Mystic Falls.
Eu adorava Denver. Adorava o sol e o calor intenso. Adorava a cidade vigorosa e esparramada.
_Elena _disse minha mãe, pela centésima vez, ante de eu entrar no avião_, você não precisa fazer isso.
Minha mãe é parecida comigo, a não ser pelo cabelo curto e as rugas de expressão. Senti um espasmo de pânico ao fitar seus olhos arregalados e infantis. Como eu podia deixar que minha mãe amorosa, instável e descuidada se virasse sozinha? É claro que ela agora tinha o Alaric, então as contas provavelmente seriam pagas, haveria comida na geladeira, gasolina no carro e alguém para chamar quando ela se perdesse, mas mesmo assim ...
_Eu quero ir _menti. Sempre menti mal, mais ultimamente ando contando essa mentira com tanta frequência que agora parecia quase convincente.
_Diga a Jonh que mandei lembranças.
_Vou dizer.
_Verei você em breve _insistiu ela_ Pode vir para casa quando quiser ... Eu volto assim que você precisar de mim.
Mais eu podia ver, nos olhos dela, o sacrifício por trás da promessa.
_Não se preocupe comigo _insisti._ Vai ser ótimo. Eu te amo, mãe.
Ela me abraçou com força por um minuto e depois entrei no avião, e ela se foi.
De Denver a Mystic Falls, são quatro horas de voo, outra hora em um pequeno avião até Por.Angeles, depois uma hora de carro até Mystic Falls. Voar não me incomodava; a hora no carro com Jonh, porém, era meio preocupante.
Jonh foi realmente gentil com tudo aquilo. Parecia realmente satisfeito que eu, pela primeira vez, fosse morar com ele por um período mais longo. Já me matriculara na escola e ia me ajudar a comprar um carro.
Mas sem dúvida seria estranho com Jonh. Não éramos o que se chamaria de falantes, e eu não sabia se havia alguma coisa para dizer. Sabia que ele estava bastante confuso com minha decisão _como minha mãe antes de mim, eu não escondia o fato de detestar Mystic Falls.
Quando pousamos em Port Angeles, estava chovendo. Não vi isso como presságio _era apenas inevitável. Eu já tinha dado adeus ao sol.
Jonh me aguardava na radio-patrulha. Eu também esperava por isso. Jonh é o chefe de policia Gilbert para o bom povo de Mystic Falls. Minha principal motivação por trás da compra de um carro, apesar da verba escassa, era que me recusava a circular pela cidade em um carro com luzes vermelhas e azuis no teto. Nada deixa o trânsito mais lento do que um policial.
Jonh me deu um abraço desajeitado com um só braço quando eu cambaleei para fora do avião.
_É bom ver você, Lena -disse ele, sorrindo enquanto automaticamente me segurava e me firmava._ Você não mudou muito. Como está a Isobel?
_A mamãe está bem. É bom ver você também, pai, _Eu não tinha permissão para chamá-lo de Jonh na frente dele.
Eu tinha só algumas malas. A maior parte das minhas roupas do Arizona era leve demais para Washington. Minha mãe e eu havíamos juntado nossos recursos para complementar meu guarda-roupa de inverno, mais ainda assim era reduzido. Coube tudo muito bem na mala da viatura.
_Achei um bom carro para você, baratinho _anunciou ele quanto estávamos afivelando o cinto
_Que tipo de carro? _Fiquei desconfiada do modo como ele disse "um bom carro para você" em vez de simplesmente "um bom carro".
_Bom, na verdade é uma picape, Um Chevy.
_Onde o achou?
_Lembra do Lockwood, de La Push? _La Push é a pequena reserva indígena no litoral.
_Não.
_Ele costumava pesacar com a gente no verão _incentivou Jonh.
Isso explicava porque que eu não me lembrava dele. Eu era bastante competente em bloquear da minha memória coisas dolorosas e desnecessárias.
_Ele agora está numa cadeira de rodas _continuou Jonh quando eu não respondi_, não pode mais dirigir e ofereceu a picape por um preço baixo.
_De que ano é? _Eu podia ver, pela mudança em sua expressão, que esta era a pergunta que ele esperava que eu não fizesse.
_Bom, o Lockwood trabalhou muito no motor... Na realidade só tem alguns anos.
Eu esperava que ele não me subestimasse a ponto de acreditar que eu desistiria com tanta facilidade.
_Quando foi que ele comprou?
_Comprou em 1984, eu acho.
_Ele a comprou nova?
_Bom, não. Acho que era nova no início dos anos 60... Ou final dos anos 50, no máximo _admitiu ele timidamente.
_Ih... Ṕai, eu não entendo nada de carros. Não conseguiria consertar se alguma coisa desse errado, e não posso pagar um mecânico...
_Na verdade, Elena, o troço funciona muito bem. Não fazem mais carros assim.
O troço, pensei comigo mesma... Era possível _como apelido, na melhor das hipóteses.
_É barata barata mesmo? _Afinal, essa era a parte em que eu não poderia contemporizar.
_Bom queria, já está quse comprado para você. Como um presente de boas-vindas _Jonh me olhou de lado com uma expressão esperançosa.
Caramaba De graça.
_Não precisva fazer isso, pai. Eu mesmo ia comprar um carro.
_Tudo bem. Quero que seja feliz aqui _Ele estava olhando para a estrada á frente ao dizer isso. Jonh não ficara á vontade quando se tratava de externar as emoções em voz alta. Herdei isso dele. Então fiquei olhando para a frente quando respondi.
_Foi muito gentil de sua parte, pai. Eu agradeço muito. _Não era necessário acrescentar que, para mim, era impossível ser feliz em Mystic Falls. Ele não precisava sofrer junto comigo. E a picape dada não se olham os dentes, nem o motor.
_Não foi nada _mumurou ele, constrangido com minha gratidão.
Trocamos mais alguns comentários sobre o clim, que estava úmido, e a maior parte da conversa não passou disso. Ficamos olhando pela janela em silêncio.
Era lindo, é claro; eu não podia negar isso. Tudo era verde: as árvores, os troncos cobertos de musgo, os galhos que pendiam das copas, a terra coberta de samanbaias. Até o ar filtrava o verde das folhas.
Era verde demais _um planeta alienígena.
Por fim chegamos á casa de Jonh. Ele ainda morava na casinha de dois quartos que comprara com minha mãe nos primeiros tempos de seu casamento. Aqueles foram os únicos tempos que o casament teve _os primeiros. Ali,, estacionada na rua de frente da casa que nunca mudavva, estava minha nova _bom, nova para mim_ picape. Era de um vermelho desbotado, com para-lamas grandes e arredondados e uma cabine bulbosa. Para minha grande supresa, eu adorei, Não sabia se ian funcionar, mais podia me ver nela. Além disso, era um daqueles negócios sólidos, que não quebram nunca _do tipo que se vê na cena de um acidente, a pintura sem um arranhão, cercado pelas peças do carro importado que foi destruído.
_Caramba, pai, adorei! Obrigada! __Agora meu pavoroso dia de amanhã seria bem menos terrível. Não teria que decidir entre andar três quilômentros na chuva até a escola e aceitar uma carona na radiopatrulha do chefe.
_Que bom que vocẽ gostou _disse Jonh rudemente, de novo sem graça.
Apenas uma viagem foi necessária para levar minhas coisas para cima. Fiquei com o quarto do lado oeste, que dava para o jardim da frente. O quarto era familiar; me pertencia desde que nasci. O piso de madeira, as paredes azul-claras, o teto pontiagudo, as cortinas de renda amarelas na janela _tudo isso fazia parte de minha infãncia, As únicas mudanças que Jonh fizera foram trocar o berço por uma cama e acrescentar uma escrivaninha, á medida que eu crescia. A mesa agora tinha um computador de segunda mão, com a linha telefônica para o modem grampeada pelo chão até a tomada de telefone mais proxima,. Isso fora estipulado por minha mãe, assim poderíamos manter contato facilmente. A cadeira de balanço de meus tempos de bebê ainda estava no canto.
Só havia um banheiro prqueno no segundo andar, que eu teria que dividir com Jonh. Estava tentando não pénsar muito nisso.
Uma das melhores coisas em Jonh é que ele não fica rondando a gente. Deixou-me sozinha para desfazer as malas e me acomodar, uma proeza que teria completamente impossível para minha mãe. Era legal ficar sozinha, sem ter que sorrir e parecer satisfeira; um alívio olhar desanimadamente pela janela para a chuva entristecendo tudo e deixar algumas lágrimas escaparem. Eu não estava com vontade de ter um acesso de choro,.
Ia economizar para a historia de dormir, quanto teria que pensar na manhã seguinte.
A Mystic Falls High School tinha um total assustador de apenas 357 _agora 358_ alunos; em Denver, havia mais de setencentas pessoas só do meu ano. Todas as crianças daqui foram criadas juntas _seus avós engatinharam juntos. Eu seria a garota nova da cidade grande, uma curiosidade, uma aberração.
Talvez, se eu parecesse uma verdadeira garota de Denver, pudesse tirar proveito disse. Mas, fisicamente, nunca me encaixei em lugar nenhu,. Eu devia ser bronzeada, atlética, loura _uma jogadora de võlei ou uma líder de torcida, talvez_, todas as coisas compatíveis com que mora no vale do sol.
Em vez disso, apesar do sol constante, eu tinha uma pele de marfim. E não tinha os olhos azuis ou o cabelo ruivo que poderiam me serivr de desculpa. Sempre fui magra, mas meio molenga, e obviamente não era uma atleta; não tinha a coordenação necessária entre mãos e olos para praticar esportes sem me humilhar _e sem machucar a mim mesma e a qualquer pessoa que se aproximasse demais.
Quando terminei de guardar minhas roupas na antiga cômoda de pinho, peguei minha nécessaire e fui ao único banheiro para me lavar depois do dia de viagem. Olhei meu rosto no espelho enquanto escovava o cabelo úmido e embaraçado. Talvez fosse a luz, mais eu já parecia mais pálida, doentia. Minha pele podia ser bonita _era muito clara, quase translúcida_, mais tudo dependia da cor. Não tinha cor nenhuma ali.
Ao ver meu reflexo pálido no espelho, fui obrigada a admitir que estava mentindo para mim mesma. Não era só fisicamente que eu não me adaptava. E quais seriam minhas chances aqui, se eu não conseguise achar um nicho em uma escola com trezentas pessoas?
Eu não me relaciono bem com as pessoas da minha idade. Talvez a verdade seja que eu não me relaciono bem com as pessoas, e ponto final. Até a minha mãe, de quem eu era mais próxima do que de qualquer outra pessoa do planeta, nunca esteve em sintonia comigo, nunca esteve exatamente na mesma página. Ás vezes eu me perguntava se via as mesmas coisas que o resto do mundo. Talvez houvesse um problema no meu cérebro.
Mas não importava a causa. Só o que importava era o efeito. E amanhã seria só o começo.
()
Não dormi bem naquela noite, mesmo depois de chorar. Ao fundo o ruído constante da chuva e do vento no telhado não desaparecia. Puxei o velho cobertor xadrez sobre a cabeça e mais tarde coloquei também o travesseiro. Mas só consegui dormir depois da meia-noite, quando a chuva finalmente se aquietou num chuvisco mais silencioso.
Só o que eu conseguia ver pela minha janela de manhã era uma neblina densa, e podia sentir a claustofobia rastejando em minha direção. Jamais se podia ver o céu aqui; parecia uma gaiola.
O café da manhão com Jonh fou um evento silencioso. Ele me desejou boa sorte na escola. Agradeci, sabendo que suas esperanças eram vãs. A boa sorte geralmente me evitara. Jonh saiu primeiro para a delegacia, que era sua esposa e sua família. Depois que ele partiu, fiquei sentada á velha mesa quadrada de carvalho, em uma das trềs cadeiras que não combinavam, e examinei a pequena cozinha, com as paredes escuras revestidas de madeira, amários de um amarelo vivo e piso de linóleo branco. Nada havia mudado. Minha mãe tinha pintado os armários dezoito anos atrás numa tentativa de colocar algum raio de sol na casa. Acima da pequena lareira na minúscula sala adjacente, havia uma fileira de fotos. Primeiro, uma foto do casamento de Jonh e minha mãe em Las Vegas; depois, uma de nós três no hospital em que nasci, tirada por uma enfermeira prestativa, seguida pela procissão das minhas fotos de escola até o ano passado. Era constrangedor olhar aqui _eu teria de pensar no que poderia fazer para que Jonh as colocasse em outro lugar, pelo menos enquanto eu morrasse aqui.
Era impossível não perceber que Jonh jamais superou a perde de minha mãe ao ficar nesta casa. Isso me deixou pouco á vontade.
Não queria chegar cedo demais na escola, mais não conseguia mais ficar ali. Vesti meu casaco _que era meio parecido com um traje de biossegurança_ e saí para a chuva.
Ainda estava chuviscando, não o suficiente para me ensopar enquanto peguei a chave da casa, sempre escondida devaixo do beiral, e tranquei a porta. O chapinhar das minhas novas botas impermeáveis era enervante. Senti falta do habitual esmagar de cascalho enquanto andava. Não podia para e admirar minha picape novamente, como eu queria; estava com pressa para sair da umidade nervoenta que envolvia minha cabeça e grudava em meu cabelo por baixo do capuz.
Dentro da picape estava agradável e seco. Lockwood, ou Jonh, obviamente tinha feito uma limpeza, mas os bancos com estofado caramelo ainda cheiravam levemente a tabaco, gasolina e hortelã. Para meu alívio o motor pegou rapidamente, mais era barulhendo, rugindo para a vida e depois rodando em um volume alto. Bom, uma picape dessa idade teria suas falhas.
O rádio antigo funcionava, um bônus que eu não esperava.
Não foi difícil encontrar a escola, embora eu nunca tivesse ido lá. Como a maioria das outras coisas, ficava perto da rodovia. Não parecia uma escola _o que me fez parar foi a placa, que dizia ser a Mystic Falls High School, tantas árvores e arbustos que no início não consegui calcular seu tamanho. Onde estava o espírito da instituição?, perguntei-me com nostalgia. Onde estavam as cercas de tela, os detetores de metal?
Estacionei na frente do primeiro prédio, que tinha plaquinha acima da porta dizendo SECRETARIA. Ninguém mais havia estacionado ali, então eu certamente estava em local proibido, mais decidi me informar lá dentro em vez de ficar dando voltas na chuva feito uma idiota. Saí sem vontade nenhuma da cabine da picape enferrujada e andei por um pequeno caminho de pedra ladeado por uma cera viva escura. Respirei fundo antes de abrir a porta.
Lá dentro o ambiente era bem iluminado e mais quente do que eu imaginava. O escritório era pequeno; uma salinha de espera com cadeiras dobráveis acolchoadas, carpete laranja manchado, recados e prêmios atravancando as paredes, um relógio grande tiquetaqueando alto. Havia plantas em toda parte em vasos grandes de plástico, como se não houvesse verde suficiente do lado de fora. A sala era dividida ao meio por um balcão comprido, abarrotado de cestos de arame cheios de papéis e folhetos de cores vivas coladas na frente. Havia trẽs meses atrás do balcão, uma delas ocupada por uma ruiva grandalhona de óculos. Ela vestia uma camiseta roza que de imediato fez com que eu me sentisse produzida demias.
A ruiva olhou para mim.
_Posso ajudá-la?
_Meu nome pe Elena Gilbert _informei-he, e logo vi a atenção iluminar seus olhos. Eu era esperada, um assunto de fofoca, sem dúvidas. A filha da ex-mulher leviana do chefe de polícia finalmente voltara para casa.
_É claro _disse ela. E cavucou a pilha instável de documentos na mesa até encontrar o que procurava. _Seu horário está bem aqui, e há um mapa da escola _Ela trouxe várias folhas ao balcão para me mostrar.
Ela indicou minhas salas de aula, destancando a melhor rota para cada uma delas no mapa, e me deu uma caderneta que cada professor teria que assinar e que eu traria de volta no final do dia. Ela sorriu para mim e me desejou, como Jonh, que eu gostasse daqui de Mystic Falls. Sori também, da maneira mais convincente que pude.
Quando voltei á picape, outros alunos começavam a chegar. Dirigi pela escola, seguindo o trânsito. Fiquei feliz em ver os carros, em sua maioria, eram mais velhos que o meu, nada chamativo. Em Denver, eu morava em um dos poucos bairros de baixa renda incluídos no distrido de Paradise Valley. Era comum ver um Mercedes ou um Porsche novo no estacionamento dos alunos. O carro mais legal aqui era um Volvo reluzente, e este se destacava. Ainda assim, desliguei o motor logo que cheguei a uma vaga para que o barulho estrondoso não chamasse a atenção para mim.
Olhei o mapa na picape, tentando agora memorizá-lo; esperava não ter que andar com ele diante do nariz o dia todo. Enfiei tudo na bolsa, passei a alça no ombro e respirei bem fundo. E vou conseguir, menti para mim mesma debilmente. Ninguém ia me morder. Por fim soltei o ar e saí da picape.
Mantive a cara escondida pelo capuz ao andar para a calçada, apinhada de adolescentes. Meu casado preto e simples não chamava a atenção, como percebi com alívio.
Depois de chegar ao refeitório, foi fácul localizar o prédio três. Um grande "3" estava pintando em preto num quadrado branco no canto leste. Senti aos poucos que começava a ofegar á medida que me aproximava da entrada. Tentei prender a respiração enquanto seguia duas capas de chuva unissex pela porta.
A sala de aula era pequena. As pessoas na minha frete pararam junto á porta para pendurar os casacos em uma longa fileiras de ganchos. Imitei-as. Havia duas meninas, uma loura com a pele cor de porcelana, a outra igualmente pálida, com cabelo castanho-claro. Prelo menos minha pele não se destacaria aqui.
Entreguei a caderneta ao professor um careca alto cuja mesa tinha uma plava identificando-o pelo nome, "Sr. Manson" . Ele me encarou supreso quando viu meu nome _não foi uma reação que me encorajasse_ e é claro que fiquei vermelha como um tomate. Mas pelo menos ele me mandou sentar numa carteira vazia no fundo da sala, sem me apresentar á turma. Era mais difícil para meus novos colegas me encarar lá atrás, mas de algum jeito eles conseguiram. Mantive os olhos baixos na bibliografia que o professor me dera. Era bem básica: Bronte, Shakespear, Chaucer, Faulkner. Eu já lera tudo. Isso era reconfortante... e entendiante. Imaginei se minha mãe me mandaria minha pasta com os trabalhos antigos, ou se ela pensatia que isso era trapaça. Tive várias discurssões com ela em minha cabeça enquanto o professor falava monotonamente.
Quando tocou o sinal, uma buzina anasalada, um garoto magricela com problemas de pele e cabelo preto feito uma mancha de óleo se inclinou para falar comigo.
_Vocẽ é Elena Gilbert, não é? _Elena parecia direitinha o tipo prestativo de clube de xadres.
_Elena _corrigi. Todo mundo num raio de trẽs carteiras se virou para me olhar.
_Qual é a sua próxima aula? __perguntou ele,
Tive que olhar na minha bolsa.
_Hmmm, educação cívica, com Jefferson, no prédio seis.
Para onde quer que eu me virasse, encontrava olhos curiosos.
_Vou para o prédio quatro, posso mostrar o caminho,,, _Sem dúvida superprestativo _ Meu nome é Eric _ acrecentou ele.
Eu sorri, insegura;
_Obrigada.
Pegamos nossos casacos e fomos para a chuva, que tinha aumentado. Eu podia jurar que várias pessias atrás de nós se aproximavam o bastante para ouvir o que dizíamos. Esperava não estar ficando paranoica.
_E aí, isso é bem diferente de Denver, não é? _perguntou ele
_Muito
_Não chove muito lá, não é?
_Três ou quatro vezes por ano.
_Puxa, como deve ser isso? _maravilhou-se ele.
_Ensolarado _eu lhe disse
_Vocẽ não é muito bronzeada.
_Minha mãe é meio albina.
Apreesivo, ele examinou meu rosto, e eu suspirei. Parecei que nuvens e senso de humor não se misturavam. Alguns meses disso e eu me esqueceria de como usar o sarcasmo.
Voltamos pelo refeitório até os prédios do sul, perto do ginásio, Eric me levou á porta, embora tivesse uma plava bem evidente.
_Então, boa sorte _disse ele enquanto eu pegava a maçaneta. _Talvez a gente tenha mais alguma aula juntos. _Elena parecia ter esperanças.
Sorri vagamente para ele e entrei.
O resto da manhã se passou do mesmo jeito. Meu professor de trigonometria, o Sr. Varner, que de qualquer forma eu teria odiado por causa da matéria que ensinava, foi o único que me fez parar diante da turma para me apresentar. EU gaguejei, corei e tropecei em minhas próprias botas ao seguir para a minha carteira.
Depois de duas aulas, comecei a reconhecer vários rostos em cada turma. Sempre havia alguém mais coreajoso do que os outros, que se apresentava e me perguntava se eu estava gostando de Mystic Falls. Tentei ser diplomática, mais na maioria das vezez apenas menti. Pelo menos não precisei do mapa.
Uma menina se sentou ao meu lado nas aulas de trigonometria e espanhol e me acompanhou até o refeitório na hora do almoço. Era baixinha, vários centímentos menos do que meu metro e sessentra e três, mais o cabelo escuro, rebelde e cacheado compensava grande parte da difierença entre nossas alturas. Não conseguia ela tagarelava sobre professores e aulas. Não tentei acompanhar sua falação.
Sentamos á ponta de uma mesa cheia de vários de seus amigos, que ela me apresentou. Esqueci o nome de todos assim que ela os pronunciou. Eles pareceram impressionados com sua coragem de falar comigo. O menino da aula de inglês, Eric, acenou par amim do outro lado do salão;
Foi ali, sentada no refeitório, tentando conversar com sete estranhos curiosos, que eu os vi pela primeira vez.
Estavam sentados no canto do refeitório, á maior distãncia possével de onde eu me encontrara no salão comprido. Eram cindo. Não estavam conversando e não comiam, embora cada um deles tivesse uma bandeja cheia e intocada diante de si. Não me encaravam, ao contráio da maioria dos outros alunos, por isso era seguros observá-los sem temer encontrar um par de olhos excessivamente interessados. Mas não foi nada disso que atraiu e prendeu minha atenção.
Eles não eram nada parecidos. Dos três meninos, um era grandalhão __musciloso como um halterofilista inveterado, com cabelo escuro e crespo. Outro era mal alto, mais magro, mas ainda assim musculoso, e tinha cabelo louco cor de mel. O último era esguio, menos forte, com um cabelo desalinhado cor preta. Era mais juvenil do que os outros, que pareciam poder estar na faculdade ou até ser professores daqui, em vez de alunos.
As meninas eram o contrário. A alta era escultural. Linda, do tipo que se fazia toda garota perto dela sentir um golpe na autoestima só por estar no mesmo ambiente. O cabelo era dourado, caindo delicadamente em ondas até o meio das costas. A menina baixa parecia uma fada, extremamente magra, com feições miúdas. O cabelo era de um preto intenso, curto, picotado e desfiado para todas as direções.
E, no entanto, todos eram de alguma forma parecidos. Cada um deles era pálido como giz, os alunos mais brancos que viviam nesta cidade sem sol. Mais brancos do que eu, a albina. Todos tinham olhos muitos escuros, apesar da variação de cor dos cabelos. Também tinha olheiras __arroxeadas, em tons de hematoma. Como se tivessem passado uma noite insone, ou estivessem se recuperando de um nariz quebrado. Mas os narizes, todos os seus traços, eram retos, perfeitos, angulosos.
Mas não era por nada disso que eu não conseguia desgrudar os olhos deles.
Fique olhando porque seus rostos, tão diferentes, tão parecidos, eram completa, arrasadora e inumanamente lindos. Eram rostos que não se esperava ver a não ser talvez nas páginas reluzentes de uma revista de moda. Ou pintados por um antigo mestre como a face de um anjo. Era difícil decidir quem era o mais bonito _talvez a loura perfeita, ou o garoto de cabelo cor preta.
Todos pareciam distantes _distantes de cada um ali, distantes dos outros alunos, distantes de qualquer coisa em particular, pelo que eu podia notar. Enquanto eu observava, a garota baixinha se levantou com a bandeja _o refrigerante fechado, a maçã sem uma dentada_ e se afastou com passos longos, rápidos e graciosos apropriados para uma passarela. Fiquei olhando, supresa com seus passos de dança, até que ela largou a bandeja no lixo e seguiu para a porta dos fundos, mais rápido do que eu teria pensado ser possível. Meus olhos dispararam de volta aos outros, impassíveis.
_Quem são eles? _perguntei á garota da minha turma de espanhol, cujo nome eu esquecera.
Enquanto ela olhava para ver do que eu estava falando _embora já soubesse, provavelmente pelo meu tom de voz _, de repente ele olhou para ela, o mais magro, o rapaz juvenil, o mais novo, talvez. Ele olhou para minha vizinha só por uma fração de segundos, e depois seus olhos escuros fulguraram para mim.
Ele desviou os olhos rapidamente, mais rápido do que eu, embora, em um jorro de constrangimento, eu tenha baixado o olhar de imediato. Naquele breve olhar, seu rosto não transmitiu nenhum interesse _era como se ela tivesse chamado o nome dele, e ele a olhasse numa reação involuntária, já tendo decidido não responder.
Minha vizinha riu sem graça, olhando a mesa como eu.
_São Damon e Stefan Salvatore, e Lexi e Jasper Hale. A que saiu é Viviany Salvatore. Todos moram com o Dr. Salvatore e a esposa _Ela disse isso á meia-voz.
Olhei de lado para o rapaz bonito, que agora fitava a própria bandeja, desfazendo um pãozinho em pedaços com os dedos pálidos e longos. Sua boca se movia muito rapidamente, os lábios perfeitos mal se abrindo. Os outros trẽs ainda pareciam distantes e, no entando, eu sentia que ele estava falando em voz baixa com eles.
Nomes estranhos e incomuns, pensei. O tipo de nome que tẽm os avós. Mas talvez seja moda por aqui _nomes de cidades pequenas? Finalmente me lembrei que minha vizinha se chamava Caroline, um nome perfeitamente comum. Havia duas meninas que se chamavam Jessica na minha turma de história, na minha cidade.
_Eles são... muitos bonitos _Lutei com a patente atenuação da verdade.
_É _concordou Caroline com outra risada_ Mas todos estão juntos ... Stefan e Lexi, e Jasper e Viviany, quero dizer. E eles moram juntos. _Sua voz trazia toda a condenação e o choque da cidade pequena, pensei criticamente. Mas, para ser sincera, tenho que admitir que até em Denver isso provocaria fofocas.
_Quem são os Salvatore? _perguntei._ Eles não parecem parentes ...
_Ah, e não são. O Dr. Salvatore é bem novo, tem uns vinte e tantos ou trinta e poucos anos. Todos foram adotados. Os Hale são mesmo irmãos, gẽmeos... os louros... e são filhos adotivos.
_Parecem meio velhos para filhos adotivos.
_Agora são, Jasper e Lexi têm 18 anos, mais estão com a Sra. Salvatore desde que tinha 8 naos. Ela é tia deles ou coisa assim.
_Isso é bem legal... Eles cuidaram de todas essas crianças, quando eram tão pequenos e tudo isso.
_Acho que sim _admitiu Caroline com relutância, e tive a impressão de que por algum motivo ela não gostava do médico e da esposa. Com os olhares que ela atirava aos filhos adotvios, eu imaginava que o motivo era inveja. _ Mas acho que a Sra. Salvatore não pode ter filhos _acrescentou ela, como se isso diminuísse sua bondade.
Em toda essa conversa, meus olhos disparavam sem para para a mesa onde se acomodava a estranha família. Eles continuavam a olhar para as paredes e não comiam.
_Eles sempre moraram em Mystic Falls? _perguntei. Certamente eu os teria percebido em um dos verões aqui.
_Não _disse ela numa voz que dava a entender que isso devia ser óbvio, até para uma recém-chegada como eu._ Só se mudaram há dois anos, vindo de algum lugar do Alasca.
Senti uma onde de pena, e também alívio. Pena porque, apesar de lindos, eles eram de fora, e claramente não eram aceitos. Alívio por eu não ser a única recém-chegada por aqui, e certamente não ser a mais interessante, por qualquer padrão.
Enquanto eu os examinava, o mais novo, um dos Salvatore, virou-se e encontrou meu olhar, desta vez com uma expressão de evidente curiosidade. Quando desviei os olhos rapidamente, me pareceu que o olhar dele trazia um espécia de expectativa frustada.
_Quem é o garoto de cabelo preto? _perguntei. Eu o espiei pelo canto do olho e ele ainda estava me encarando, mais não aparalhado como os outros alunos. Tinha um expressão meio frustada. Olhei para baixo novamente.
_É o Damon. Ele é lindo, é claro, mais não perca seu tempo. Ele não namora. Ao que parece, nenhuma das meninas daqui é bonita o bastante para ele. _Ela fungou, um caso claro de dor de cotovelo. Eu me perguntei quanp é que ele a tinha rejeitado.
Mordi o lábio para esconder meu sorriso. Depois olhei para ele de novo. Seu rosto estava virado para o outro lado, mais achei que sua bochecha parecia erguida, como se ele também estivesse sorrindo.
Depois de mais alguns minutos, os quatro saíram da mesa juntos. Todos eram muito elegantes _até o grandalhão de cabelo castanho. Era perturbador de ver. O garoto chamado Damon não olhou novamente para mim.
Fiquei sentada á mesa com Caroline e os amigos dela por mais tempo do que teria ficado se eu estivesse sozinha. Estava ansiosa para não me atrasar para as aulas no meu primeiro dia. Uma de minhas novas conhecidas, que me lembrava repetidamente de que seu nome era Bonnie, tinha biologia II comigo no próximo tempo. Seguimos juntas em silêncio para a sala. Elena também era tímida.
Quando entramos na sala, Bonnie foi se sentar em uma carteira de tampo preto exatamente como aquelas que eu costumava usar. Ela já tinha uma vizinha. Na verdade, todas as cadeiras estavam ocupadas, exceto uma. Ao lado do corredor central, reconheci Damon Salvatore por seu cabelo incomum, sentado ao lado daquele lugar vago.
Enquanto eu andava pelo corredor para me apresentar ao professor e conseguir que assinasse minha caderneta, eu o observava furtivamente. Assim que passei, ele de repente ficou rígido em seu lugar. Ele me encarou novamente, encontrando meus olhos com a expressão mais estranha do mundo _ era hostil, furiosa. Desviei os olhos rapidamente, chocada, ruborizando de novo. Tropecei em um livro no caminho e tive que me apoiar na beira de uma mesa. A menina sentada ali riu.
Percebi que os olhos dele eram pretos _pretos como carvão.
O Sr. Banner assinou minha caderneta e me passou um livro, sem nenhum dos absurdos das apresentações. Eu podia dizer que íamos nos dar bem. É claro que ele não teve alternativa a não ser me mandar para o lugar vago no meio da sala. Mantive os olhos baixos enquanto fui me sentar ao lado dele, desconcertada pelo olhar hostil que ele me lançara.
Não olhei para cima ao colocar os livros na carteira e tomar meu lugar, mas, pelo canto do olho, vi sua postura mudar. Ele estava inclinado para longe de mim, sentado na ponta da cadeira, e desviava o rosto como se sentisse algum fedor. Imperceptivelmente, cheirei meu cabelo. Tinha cheiro de morando, o aroma de meu xampu preferido. Parecia um odor bem inocente. Deixei meu cabelo cair no ombro direito, criando uma cortina escura entre nós, e tentei prestar atenção no professor.
Infelizmente a aula era sobre anatomia celular, uma coisa que eu já estudara. De qualquer modo, tomei notas cuidadosamente, sempre olhando para baixo.
Não conseguia deixar de espiar de vez em quando, através da tela de meus cabelos, o estranho garoto sentado ao meu lado. Durante toda a aula, ele não relaxou um minuto da postura rígida na ponta da cadeira, sentando-se o mais distante possível de mim. Eu podia ver que suas mãos na perna esquerda estavam fechadas em punho, os tendões sobressaindo por baixo da pele clara. Isso também ele não relaxou. Estava com as mandas compridas da camisa branca enroladas até o cotovelo e o braço era surpreendentemente rijo e musculoso sob a pele clara. Ele não era nem de longe frágil como parecia ao lado do irmão mais forte.
A aula parecia se arrastar mais do que as outras. Seria porque o dia finalmente estava chegando ao fim, ou porque eu esperava que o punho dele relaxasse? Não aconteceu: ele continuou sentado tão imóvel que nem parecia respirar. Qual era o problema dele? Será que esta era seu comportamento normal? Questionei a avaliação que fiz da amargura de Caroline no almoço de hoje. Talvez ela não fosse tão ressentida quando eu pensava.
Isso não podia ter nada a ver comigo. Até hoje ele nem me conhecia.
Eu o espiei mais uma vez e me arrependi disso. Ele agora me encarava de cima, os olhos pretos cheios de repugnância. Enquanto eu me afastava, escolhendo-me na cadeira, de repente passou por minha cabeça a expressão como se pudesse me matar.
Naquele momento, o sinal tocou alto, fazendo-me pular, e Damon Salvatore estava fora de sua carteira. Com fluidez, ele se levantou de costas para mim _era muito mais alto do que eu pensava_ e estava do lado de fora da porta antes que qualquer outro tivesse saído da carteira.
Fiquei paralisada no meu lugar, encarando inexpressiva as costas dele. Era tão mesquinho. Não era justo. Comecei a pegar minhas coisas devagar, tentando bloquear a raiva que se espalhava em mim, com medo de que meus olhos se enchessem de lágrimas. Por algum motivo, minha ira era canalizada para meus dutos lacrimais. Normalmente, eu chorava quando estava com raiva, um tendência humilhante.
_Você não é a Elena Gilbert? _perguntou uma voz de homem.
Olhei para cima e vi um rapaz bonitinho com cara de bebê, o cabelo louro-claro cuidadosamente penteado com gel com pontas arrumadinhas, sorrindo para mim de maneira simpática. Ele obviamente não achava que eu cheirava mal.
_Elena _eu o corrigi, com um sorriso.
_Meu nome é Matt.
_Oi, Matt.
_Precisa de ajuda para encontrar sua próxima aula?
_Vou para educação física. Acho que posso encontrar o caminho.
_É a minha próxima aula também. _Ele parecia impressionado, mas não era uma coincidência assim tão grande numa escola tão pequena.
Então fomos juntos. Ele era um tagarela. _alimentou a maior parte da conversa, o que facilitou minha vida. Tinha morado na Califórnia até os 10 anos, então sabia como eu me sentia com relação ao sol. Por acaso também era meu colega na aula de inglês. O Mike foi a pessoa mais legal que conheci hoje.
Mas enquanto estávamos no ginásio, ele perguntou:
_E aí, você furou o Damon Salvatore com um lápis ou o quê? Nunca o vi agir daquele jeito.
Eu me encolhi. Então não fui a única a perceber. E ao que parecia aquele não era o comportamento habitual de Damon Salvatore. Decidi me fazer de burra;
_Era o garoto do meu lado na aula de biologia? _perguntei naturalmente.
_Era _disse ele._ Parecia estar sentindo alguma dor ou coisa assim.
_Não sei _respondi_ Nunca falei com ele.
_Ele é um cara estranho. _Mike se demorou ao meu lado em vez de ir para o vestiário_ Se eu estivesse a sorte de me sentar do seu lado, conversaria com você.
Eu sorri para ele antes de ir para a porta do vestiário feminino. Ele era simpático e estava na cara que gostava de mim. Mas não foi o suficiente para atenuar minha irritação.
O professor de educação física, treinador Clapp, encontrou um uniforme para mim mais não me fez vesti-lo para a aula de hoje. Em Denver, só exigiam dois anos de educação física. Aqui, a matéria era obrigatória nos quatro anos. Mystic Falls literalmente era meu inferno particular na Terra.
Fiquei assistindo a quatro partidas de võlei que aconteciam simultaneamente. Lembrando quando lesões eu sofri _e infligi_ jogando võlei, me senti meio nauseada.
O último sinal finalmente tocou. Andei devagar para a secretária para entregar a minha caderneta. A chuva tinha ido embora, mais o vento era forte e mais frio. Eu me abracei.
Ao entrar no escritório aquecido, quase me virei e voltei para fora.
Damon Salvatore estava parado junto é mesa na minha frente. Reconheci de novo aquele cabelo preto desgrenhado. Ele não pareceu ter ouvido minha entrada. Fiquei encostada na parede de trás, torcendo para que a recepcionista ficasse livre.
Ele estava discutindo com ela numa voz baixa e cativante. Rapidamente peguei a essência da discussão. Ele tentava trocar o horário de biologia por qualquer outro horário _qualquer outro.
Não consegui acreditar que fosse por minha causa. Tinha de ser outra coisa, algo que acontecera antes de eu entrar na sala de aula. A expressão dele devia ter siso por outro aborrecimento totalmente diferente. Era impossível que este estranho pudesse ter uma repulsa tão súbita e intensa por mim.
A porta se abriu de novo e de repente uma rajada do vento frio entrou pela sala, espalhando os papéis na mesa, jogando meu cabelo na cara. A menina que entrava limitou-se a ir até a mesa, colocou um bilhete na cesta de arame e saiu novamente. Mas Damon Salvatore se enriqueceu de novo e se virou lentamente para olhar para mim _o rosto era absurdamente lindo _ com olhos penetrantes cheios de ódio. Por um momento, senti um arrepio de puro medo, que eriçou os pelos de meus braços. O olhar só durou um segundo, mas me gelou mais do que o vento frio. Ele voltou a se virar para a recepcionista.
_Então deixa para lá _disse asperamente numa voz de veludo. _ Estou vendo que é impossível. Muito obrigado por sua ajuda. _Virou-se sem olhar para mim, desaparecendo porta afora.
Foi humildemente até a mesa, minha cara branca de imediato ficando vermelha, e entreguei a caderneta assinada.
_Como foi seu primeiro dia, querida? _perguntou a recepcionista num tom maternal.
_Bom _menti, a voz fraca. Ela não pareceu se convencer.
Quando fui para a picape, era quase o último carro no estacionamento. Parecia um abrigo, a coisa mais próxima de uma casa que eu tinha neste buraco verde e úmido. Fiquei sentada lá dentro por um tempo, só olhando, sem enxergar pelo para-brisa. Mas logo estava frio o bastante para precisar do aquecedor, virei a chave e o motor rugiu. Voltei para a casa de Jonh, lutando com as lágrimas por todo o caminho até lá,
Na península Olympic, do noroeste do estado de Washington, há uma cidadezinha chamada Mystic Falls, quase constantemente debaixo de uma cobertura de nuvens. Chove mais nessa cidade insignificante do que em qualquer outro lugar dos Estados Unidos. Foi desse lugar e de suas sombras melancólicas e onipresentes que minha mãe fugiu comigo quando eu tinha apenas alguns meses de idade. Nessa cidade eu fui obrigada a passar um mês a cada verão até ter 14 anos. Foi então que finalmente bati o pé. No últimos trẽs Verões, meu pai, Jonh, passou duas semanas de férias comigo na Califórnia.
Era em Mystic Falls que agora eu me exilava __uma atitude que assumi com muito pavor. Eu detestava Mystic Falls.
Eu adorava Denver. Adorava o sol e o calor intenso. Adorava a cidade vigorosa e esparramada.
_Elena _disse minha mãe, pela centésima vez, ante de eu entrar no avião_, você não precisa fazer isso.
Minha mãe é parecida comigo, a não ser pelo cabelo curto e as rugas de expressão. Senti um espasmo de pânico ao fitar seus olhos arregalados e infantis. Como eu podia deixar que minha mãe amorosa, instável e descuidada se virasse sozinha? É claro que ela agora tinha o Alaric, então as contas provavelmente seriam pagas, haveria comida na geladeira, gasolina no carro e alguém para chamar quando ela se perdesse, mas mesmo assim ...
_Eu quero ir _menti. Sempre menti mal, mais ultimamente ando contando essa mentira com tanta frequência que agora parecia quase convincente.
_Diga a Jonh que mandei lembranças.
_Vou dizer.
_Verei você em breve _insistiu ela_ Pode vir para casa quando quiser ... Eu volto assim que você precisar de mim.
Mais eu podia ver, nos olhos dela, o sacrifício por trás da promessa.
_Não se preocupe comigo _insisti._ Vai ser ótimo. Eu te amo, mãe.
Ela me abraçou com força por um minuto e depois entrei no avião, e ela se foi.
De Denver a Mystic Falls, são quatro horas de voo, outra hora em um pequeno avião até Por.Angeles, depois uma hora de carro até Mystic Falls. Voar não me incomodava; a hora no carro com Jonh, porém, era meio preocupante.
Jonh foi realmente gentil com tudo aquilo. Parecia realmente satisfeito que eu, pela primeira vez, fosse morar com ele por um período mais longo. Já me matriculara na escola e ia me ajudar a comprar um carro.
Mas sem dúvida seria estranho com Jonh. Não éramos o que se chamaria de falantes, e eu não sabia se havia alguma coisa para dizer. Sabia que ele estava bastante confuso com minha decisão _como minha mãe antes de mim, eu não escondia o fato de detestar Mystic Falls.
Quando pousamos em Port Angeles, estava chovendo. Não vi isso como presságio _era apenas inevitável. Eu já tinha dado adeus ao sol.
Jonh me aguardava na radio-patrulha. Eu também esperava por isso. Jonh é o chefe de policia Gilbert para o bom povo de Mystic Falls. Minha principal motivação por trás da compra de um carro, apesar da verba escassa, era que me recusava a circular pela cidade em um carro com luzes vermelhas e azuis no teto. Nada deixa o trânsito mais lento do que um policial.
Jonh me deu um abraço desajeitado com um só braço quando eu cambaleei para fora do avião.
_É bom ver você, Lena -disse ele, sorrindo enquanto automaticamente me segurava e me firmava._ Você não mudou muito. Como está a Isobel?
_A mamãe está bem. É bom ver você também, pai, _Eu não tinha permissão para chamá-lo de Jonh na frente dele.
Eu tinha só algumas malas. A maior parte das minhas roupas do Arizona era leve demais para Washington. Minha mãe e eu havíamos juntado nossos recursos para complementar meu guarda-roupa de inverno, mais ainda assim era reduzido. Coube tudo muito bem na mala da viatura.
_Achei um bom carro para você, baratinho _anunciou ele quanto estávamos afivelando o cinto
_Que tipo de carro? _Fiquei desconfiada do modo como ele disse "um bom carro para você" em vez de simplesmente "um bom carro".
_Bom, na verdade é uma picape, Um Chevy.
_Onde o achou?
_Lembra do Lockwood, de La Push? _La Push é a pequena reserva indígena no litoral.
_Não.
_Ele costumava pesacar com a gente no verão _incentivou Jonh.
Isso explicava porque que eu não me lembrava dele. Eu era bastante competente em bloquear da minha memória coisas dolorosas e desnecessárias.
_Ele agora está numa cadeira de rodas _continuou Jonh quando eu não respondi_, não pode mais dirigir e ofereceu a picape por um preço baixo.
_De que ano é? _Eu podia ver, pela mudança em sua expressão, que esta era a pergunta que ele esperava que eu não fizesse.
_Bom, o Lockwood trabalhou muito no motor... Na realidade só tem alguns anos.
Eu esperava que ele não me subestimasse a ponto de acreditar que eu desistiria com tanta facilidade.
_Quando foi que ele comprou?
_Comprou em 1984, eu acho.
_Ele a comprou nova?
_Bom, não. Acho que era nova no início dos anos 60... Ou final dos anos 50, no máximo _admitiu ele timidamente.
_Ih... Ṕai, eu não entendo nada de carros. Não conseguiria consertar se alguma coisa desse errado, e não posso pagar um mecânico...
_Na verdade, Elena, o troço funciona muito bem. Não fazem mais carros assim.
O troço, pensei comigo mesma... Era possível _como apelido, na melhor das hipóteses.
_É barata barata mesmo? _Afinal, essa era a parte em que eu não poderia contemporizar.
_Bom queria, já está quse comprado para você. Como um presente de boas-vindas _Jonh me olhou de lado com uma expressão esperançosa.
Caramaba De graça.
_Não precisva fazer isso, pai. Eu mesmo ia comprar um carro.
_Tudo bem. Quero que seja feliz aqui _Ele estava olhando para a estrada á frente ao dizer isso. Jonh não ficara á vontade quando se tratava de externar as emoções em voz alta. Herdei isso dele. Então fiquei olhando para a frente quando respondi.
_Foi muito gentil de sua parte, pai. Eu agradeço muito. _Não era necessário acrescentar que, para mim, era impossível ser feliz em Mystic Falls. Ele não precisava sofrer junto comigo. E a picape dada não se olham os dentes, nem o motor.
_Não foi nada _mumurou ele, constrangido com minha gratidão.
Trocamos mais alguns comentários sobre o clim, que estava úmido, e a maior parte da conversa não passou disso. Ficamos olhando pela janela em silêncio.
Era lindo, é claro; eu não podia negar isso. Tudo era verde: as árvores, os troncos cobertos de musgo, os galhos que pendiam das copas, a terra coberta de samanbaias. Até o ar filtrava o verde das folhas.
Era verde demais _um planeta alienígena.
Por fim chegamos á casa de Jonh. Ele ainda morava na casinha de dois quartos que comprara com minha mãe nos primeiros tempos de seu casamento. Aqueles foram os únicos tempos que o casament teve _os primeiros. Ali,, estacionada na rua de frente da casa que nunca mudavva, estava minha nova _bom, nova para mim_ picape. Era de um vermelho desbotado, com para-lamas grandes e arredondados e uma cabine bulbosa. Para minha grande supresa, eu adorei, Não sabia se ian funcionar, mais podia me ver nela. Além disso, era um daqueles negócios sólidos, que não quebram nunca _do tipo que se vê na cena de um acidente, a pintura sem um arranhão, cercado pelas peças do carro importado que foi destruído.
_Caramba, pai, adorei! Obrigada! __Agora meu pavoroso dia de amanhã seria bem menos terrível. Não teria que decidir entre andar três quilômentros na chuva até a escola e aceitar uma carona na radiopatrulha do chefe.
_Que bom que vocẽ gostou _disse Jonh rudemente, de novo sem graça.
Apenas uma viagem foi necessária para levar minhas coisas para cima. Fiquei com o quarto do lado oeste, que dava para o jardim da frente. O quarto era familiar; me pertencia desde que nasci. O piso de madeira, as paredes azul-claras, o teto pontiagudo, as cortinas de renda amarelas na janela _tudo isso fazia parte de minha infãncia, As únicas mudanças que Jonh fizera foram trocar o berço por uma cama e acrescentar uma escrivaninha, á medida que eu crescia. A mesa agora tinha um computador de segunda mão, com a linha telefônica para o modem grampeada pelo chão até a tomada de telefone mais proxima,. Isso fora estipulado por minha mãe, assim poderíamos manter contato facilmente. A cadeira de balanço de meus tempos de bebê ainda estava no canto.
Só havia um banheiro prqueno no segundo andar, que eu teria que dividir com Jonh. Estava tentando não pénsar muito nisso.
Uma das melhores coisas em Jonh é que ele não fica rondando a gente. Deixou-me sozinha para desfazer as malas e me acomodar, uma proeza que teria completamente impossível para minha mãe. Era legal ficar sozinha, sem ter que sorrir e parecer satisfeira; um alívio olhar desanimadamente pela janela para a chuva entristecendo tudo e deixar algumas lágrimas escaparem. Eu não estava com vontade de ter um acesso de choro,.
Ia economizar para a historia de dormir, quanto teria que pensar na manhã seguinte.
A Mystic Falls High School tinha um total assustador de apenas 357 _agora 358_ alunos; em Denver, havia mais de setencentas pessoas só do meu ano. Todas as crianças daqui foram criadas juntas _seus avós engatinharam juntos. Eu seria a garota nova da cidade grande, uma curiosidade, uma aberração.
Talvez, se eu parecesse uma verdadeira garota de Denver, pudesse tirar proveito disse. Mas, fisicamente, nunca me encaixei em lugar nenhu,. Eu devia ser bronzeada, atlética, loura _uma jogadora de võlei ou uma líder de torcida, talvez_, todas as coisas compatíveis com que mora no vale do sol.
Em vez disso, apesar do sol constante, eu tinha uma pele de marfim. E não tinha os olhos azuis ou o cabelo ruivo que poderiam me serivr de desculpa. Sempre fui magra, mas meio molenga, e obviamente não era uma atleta; não tinha a coordenação necessária entre mãos e olos para praticar esportes sem me humilhar _e sem machucar a mim mesma e a qualquer pessoa que se aproximasse demais.
Quando terminei de guardar minhas roupas na antiga cômoda de pinho, peguei minha nécessaire e fui ao único banheiro para me lavar depois do dia de viagem. Olhei meu rosto no espelho enquanto escovava o cabelo úmido e embaraçado. Talvez fosse a luz, mais eu já parecia mais pálida, doentia. Minha pele podia ser bonita _era muito clara, quase translúcida_, mais tudo dependia da cor. Não tinha cor nenhuma ali.
Ao ver meu reflexo pálido no espelho, fui obrigada a admitir que estava mentindo para mim mesma. Não era só fisicamente que eu não me adaptava. E quais seriam minhas chances aqui, se eu não conseguise achar um nicho em uma escola com trezentas pessoas?
Eu não me relaciono bem com as pessoas da minha idade. Talvez a verdade seja que eu não me relaciono bem com as pessoas, e ponto final. Até a minha mãe, de quem eu era mais próxima do que de qualquer outra pessoa do planeta, nunca esteve em sintonia comigo, nunca esteve exatamente na mesma página. Ás vezes eu me perguntava se via as mesmas coisas que o resto do mundo. Talvez houvesse um problema no meu cérebro.
Mas não importava a causa. Só o que importava era o efeito. E amanhã seria só o começo.
()
Não dormi bem naquela noite, mesmo depois de chorar. Ao fundo o ruído constante da chuva e do vento no telhado não desaparecia. Puxei o velho cobertor xadrez sobre a cabeça e mais tarde coloquei também o travesseiro. Mas só consegui dormir depois da meia-noite, quando a chuva finalmente se aquietou num chuvisco mais silencioso.
Só o que eu conseguia ver pela minha janela de manhã era uma neblina densa, e podia sentir a claustofobia rastejando em minha direção. Jamais se podia ver o céu aqui; parecia uma gaiola.
O café da manhão com Jonh fou um evento silencioso. Ele me desejou boa sorte na escola. Agradeci, sabendo que suas esperanças eram vãs. A boa sorte geralmente me evitara. Jonh saiu primeiro para a delegacia, que era sua esposa e sua família. Depois que ele partiu, fiquei sentada á velha mesa quadrada de carvalho, em uma das trềs cadeiras que não combinavam, e examinei a pequena cozinha, com as paredes escuras revestidas de madeira, amários de um amarelo vivo e piso de linóleo branco. Nada havia mudado. Minha mãe tinha pintado os armários dezoito anos atrás numa tentativa de colocar algum raio de sol na casa. Acima da pequena lareira na minúscula sala adjacente, havia uma fileira de fotos. Primeiro, uma foto do casamento de Jonh e minha mãe em Las Vegas; depois, uma de nós três no hospital em que nasci, tirada por uma enfermeira prestativa, seguida pela procissão das minhas fotos de escola até o ano passado. Era constrangedor olhar aqui _eu teria de pensar no que poderia fazer para que Jonh as colocasse em outro lugar, pelo menos enquanto eu morrasse aqui.
Era impossível não perceber que Jonh jamais superou a perde de minha mãe ao ficar nesta casa. Isso me deixou pouco á vontade.
Não queria chegar cedo demais na escola, mais não conseguia mais ficar ali. Vesti meu casaco _que era meio parecido com um traje de biossegurança_ e saí para a chuva.
Ainda estava chuviscando, não o suficiente para me ensopar enquanto peguei a chave da casa, sempre escondida devaixo do beiral, e tranquei a porta. O chapinhar das minhas novas botas impermeáveis era enervante. Senti falta do habitual esmagar de cascalho enquanto andava. Não podia para e admirar minha picape novamente, como eu queria; estava com pressa para sair da umidade nervoenta que envolvia minha cabeça e grudava em meu cabelo por baixo do capuz.
Dentro da picape estava agradável e seco. Lockwood, ou Jonh, obviamente tinha feito uma limpeza, mas os bancos com estofado caramelo ainda cheiravam levemente a tabaco, gasolina e hortelã. Para meu alívio o motor pegou rapidamente, mais era barulhendo, rugindo para a vida e depois rodando em um volume alto. Bom, uma picape dessa idade teria suas falhas.
O rádio antigo funcionava, um bônus que eu não esperava.
Não foi difícil encontrar a escola, embora eu nunca tivesse ido lá. Como a maioria das outras coisas, ficava perto da rodovia. Não parecia uma escola _o que me fez parar foi a placa, que dizia ser a Mystic Falls High School, tantas árvores e arbustos que no início não consegui calcular seu tamanho. Onde estava o espírito da instituição?, perguntei-me com nostalgia. Onde estavam as cercas de tela, os detetores de metal?
Estacionei na frente do primeiro prédio, que tinha plaquinha acima da porta dizendo SECRETARIA. Ninguém mais havia estacionado ali, então eu certamente estava em local proibido, mais decidi me informar lá dentro em vez de ficar dando voltas na chuva feito uma idiota. Saí sem vontade nenhuma da cabine da picape enferrujada e andei por um pequeno caminho de pedra ladeado por uma cera viva escura. Respirei fundo antes de abrir a porta.
Lá dentro o ambiente era bem iluminado e mais quente do que eu imaginava. O escritório era pequeno; uma salinha de espera com cadeiras dobráveis acolchoadas, carpete laranja manchado, recados e prêmios atravancando as paredes, um relógio grande tiquetaqueando alto. Havia plantas em toda parte em vasos grandes de plástico, como se não houvesse verde suficiente do lado de fora. A sala era dividida ao meio por um balcão comprido, abarrotado de cestos de arame cheios de papéis e folhetos de cores vivas coladas na frente. Havia trẽs meses atrás do balcão, uma delas ocupada por uma ruiva grandalhona de óculos. Ela vestia uma camiseta roza que de imediato fez com que eu me sentisse produzida demias.
A ruiva olhou para mim.
_Posso ajudá-la?
_Meu nome pe Elena Gilbert _informei-he, e logo vi a atenção iluminar seus olhos. Eu era esperada, um assunto de fofoca, sem dúvidas. A filha da ex-mulher leviana do chefe de polícia finalmente voltara para casa.
_É claro _disse ela. E cavucou a pilha instável de documentos na mesa até encontrar o que procurava. _Seu horário está bem aqui, e há um mapa da escola _Ela trouxe várias folhas ao balcão para me mostrar.
Ela indicou minhas salas de aula, destancando a melhor rota para cada uma delas no mapa, e me deu uma caderneta que cada professor teria que assinar e que eu traria de volta no final do dia. Ela sorriu para mim e me desejou, como Jonh, que eu gostasse daqui de Mystic Falls. Sori também, da maneira mais convincente que pude.
Quando voltei á picape, outros alunos começavam a chegar. Dirigi pela escola, seguindo o trânsito. Fiquei feliz em ver os carros, em sua maioria, eram mais velhos que o meu, nada chamativo. Em Denver, eu morava em um dos poucos bairros de baixa renda incluídos no distrido de Paradise Valley. Era comum ver um Mercedes ou um Porsche novo no estacionamento dos alunos. O carro mais legal aqui era um Volvo reluzente, e este se destacava. Ainda assim, desliguei o motor logo que cheguei a uma vaga para que o barulho estrondoso não chamasse a atenção para mim.
Olhei o mapa na picape, tentando agora memorizá-lo; esperava não ter que andar com ele diante do nariz o dia todo. Enfiei tudo na bolsa, passei a alça no ombro e respirei bem fundo. E vou conseguir, menti para mim mesma debilmente. Ninguém ia me morder. Por fim soltei o ar e saí da picape.
Mantive a cara escondida pelo capuz ao andar para a calçada, apinhada de adolescentes. Meu casado preto e simples não chamava a atenção, como percebi com alívio.
Depois de chegar ao refeitório, foi fácul localizar o prédio três. Um grande "3" estava pintando em preto num quadrado branco no canto leste. Senti aos poucos que começava a ofegar á medida que me aproximava da entrada. Tentei prender a respiração enquanto seguia duas capas de chuva unissex pela porta.
A sala de aula era pequena. As pessoas na minha frete pararam junto á porta para pendurar os casacos em uma longa fileiras de ganchos. Imitei-as. Havia duas meninas, uma loura com a pele cor de porcelana, a outra igualmente pálida, com cabelo castanho-claro. Prelo menos minha pele não se destacaria aqui.
Entreguei a caderneta ao professor um careca alto cuja mesa tinha uma plava identificando-o pelo nome, "Sr. Manson" . Ele me encarou supreso quando viu meu nome _não foi uma reação que me encorajasse_ e é claro que fiquei vermelha como um tomate. Mas pelo menos ele me mandou sentar numa carteira vazia no fundo da sala, sem me apresentar á turma. Era mais difícil para meus novos colegas me encarar lá atrás, mas de algum jeito eles conseguiram. Mantive os olhos baixos na bibliografia que o professor me dera. Era bem básica: Bronte, Shakespear, Chaucer, Faulkner. Eu já lera tudo. Isso era reconfortante... e entendiante. Imaginei se minha mãe me mandaria minha pasta com os trabalhos antigos, ou se ela pensatia que isso era trapaça. Tive várias discurssões com ela em minha cabeça enquanto o professor falava monotonamente.
Quando tocou o sinal, uma buzina anasalada, um garoto magricela com problemas de pele e cabelo preto feito uma mancha de óleo se inclinou para falar comigo.
_Vocẽ é Elena Gilbert, não é? _Elena parecia direitinha o tipo prestativo de clube de xadres.
_Elena _corrigi. Todo mundo num raio de trẽs carteiras se virou para me olhar.
_Qual é a sua próxima aula? __perguntou ele,
Tive que olhar na minha bolsa.
_Hmmm, educação cívica, com Jefferson, no prédio seis.
Para onde quer que eu me virasse, encontrava olhos curiosos.
_Vou para o prédio quatro, posso mostrar o caminho,,, _Sem dúvida superprestativo _ Meu nome é Eric _ acrecentou ele.
Eu sorri, insegura;
_Obrigada.
Pegamos nossos casacos e fomos para a chuva, que tinha aumentado. Eu podia jurar que várias pessias atrás de nós se aproximavam o bastante para ouvir o que dizíamos. Esperava não estar ficando paranoica.
_E aí, isso é bem diferente de Denver, não é? _perguntou ele
_Muito
_Não chove muito lá, não é?
_Três ou quatro vezes por ano.
_Puxa, como deve ser isso? _maravilhou-se ele.
_Ensolarado _eu lhe disse
_Vocẽ não é muito bronzeada.
_Minha mãe é meio albina.
Apreesivo, ele examinou meu rosto, e eu suspirei. Parecei que nuvens e senso de humor não se misturavam. Alguns meses disso e eu me esqueceria de como usar o sarcasmo.
Voltamos pelo refeitório até os prédios do sul, perto do ginásio, Eric me levou á porta, embora tivesse uma plava bem evidente.
_Então, boa sorte _disse ele enquanto eu pegava a maçaneta. _Talvez a gente tenha mais alguma aula juntos. _Elena parecia ter esperanças.
Sorri vagamente para ele e entrei.
O resto da manhã se passou do mesmo jeito. Meu professor de trigonometria, o Sr. Varner, que de qualquer forma eu teria odiado por causa da matéria que ensinava, foi o único que me fez parar diante da turma para me apresentar. EU gaguejei, corei e tropecei em minhas próprias botas ao seguir para a minha carteira.
Depois de duas aulas, comecei a reconhecer vários rostos em cada turma. Sempre havia alguém mais coreajoso do que os outros, que se apresentava e me perguntava se eu estava gostando de Mystic Falls. Tentei ser diplomática, mais na maioria das vezez apenas menti. Pelo menos não precisei do mapa.
Uma menina se sentou ao meu lado nas aulas de trigonometria e espanhol e me acompanhou até o refeitório na hora do almoço. Era baixinha, vários centímentos menos do que meu metro e sessentra e três, mais o cabelo escuro, rebelde e cacheado compensava grande parte da difierença entre nossas alturas. Não conseguia ela tagarelava sobre professores e aulas. Não tentei acompanhar sua falação.
Sentamos á ponta de uma mesa cheia de vários de seus amigos, que ela me apresentou. Esqueci o nome de todos assim que ela os pronunciou. Eles pareceram impressionados com sua coragem de falar comigo. O menino da aula de inglês, Eric, acenou par amim do outro lado do salão;
Foi ali, sentada no refeitório, tentando conversar com sete estranhos curiosos, que eu os vi pela primeira vez.
Estavam sentados no canto do refeitório, á maior distãncia possével de onde eu me encontrara no salão comprido. Eram cindo. Não estavam conversando e não comiam, embora cada um deles tivesse uma bandeja cheia e intocada diante de si. Não me encaravam, ao contráio da maioria dos outros alunos, por isso era seguros observá-los sem temer encontrar um par de olhos excessivamente interessados. Mas não foi nada disso que atraiu e prendeu minha atenção.
Eles não eram nada parecidos. Dos três meninos, um era grandalhão __musciloso como um halterofilista inveterado, com cabelo escuro e crespo. Outro era mal alto, mais magro, mas ainda assim musculoso, e tinha cabelo louco cor de mel. O último era esguio, menos forte, com um cabelo desalinhado cor preta. Era mais juvenil do que os outros, que pareciam poder estar na faculdade ou até ser professores daqui, em vez de alunos.
As meninas eram o contrário. A alta era escultural. Linda, do tipo que se fazia toda garota perto dela sentir um golpe na autoestima só por estar no mesmo ambiente. O cabelo era dourado, caindo delicadamente em ondas até o meio das costas. A menina baixa parecia uma fada, extremamente magra, com feições miúdas. O cabelo era de um preto intenso, curto, picotado e desfiado para todas as direções.
E, no entanto, todos eram de alguma forma parecidos. Cada um deles era pálido como giz, os alunos mais brancos que viviam nesta cidade sem sol. Mais brancos do que eu, a albina. Todos tinham olhos muitos escuros, apesar da variação de cor dos cabelos. Também tinha olheiras __arroxeadas, em tons de hematoma. Como se tivessem passado uma noite insone, ou estivessem se recuperando de um nariz quebrado. Mas os narizes, todos os seus traços, eram retos, perfeitos, angulosos.
Mas não era por nada disso que eu não conseguia desgrudar os olhos deles.
Fique olhando porque seus rostos, tão diferentes, tão parecidos, eram completa, arrasadora e inumanamente lindos. Eram rostos que não se esperava ver a não ser talvez nas páginas reluzentes de uma revista de moda. Ou pintados por um antigo mestre como a face de um anjo. Era difícil decidir quem era o mais bonito _talvez a loura perfeita, ou o garoto de cabelo cor preta.
Todos pareciam distantes _distantes de cada um ali, distantes dos outros alunos, distantes de qualquer coisa em particular, pelo que eu podia notar. Enquanto eu observava, a garota baixinha se levantou com a bandeja _o refrigerante fechado, a maçã sem uma dentada_ e se afastou com passos longos, rápidos e graciosos apropriados para uma passarela. Fiquei olhando, supresa com seus passos de dança, até que ela largou a bandeja no lixo e seguiu para a porta dos fundos, mais rápido do que eu teria pensado ser possível. Meus olhos dispararam de volta aos outros, impassíveis.
_Quem são eles? _perguntei á garota da minha turma de espanhol, cujo nome eu esquecera.
Enquanto ela olhava para ver do que eu estava falando _embora já soubesse, provavelmente pelo meu tom de voz _, de repente ele olhou para ela, o mais magro, o rapaz juvenil, o mais novo, talvez. Ele olhou para minha vizinha só por uma fração de segundos, e depois seus olhos escuros fulguraram para mim.
Ele desviou os olhos rapidamente, mais rápido do que eu, embora, em um jorro de constrangimento, eu tenha baixado o olhar de imediato. Naquele breve olhar, seu rosto não transmitiu nenhum interesse _era como se ela tivesse chamado o nome dele, e ele a olhasse numa reação involuntária, já tendo decidido não responder.
Minha vizinha riu sem graça, olhando a mesa como eu.
_São Damon e Stefan Salvatore, e Lexi e Jasper Hale. A que saiu é Viviany Salvatore. Todos moram com o Dr. Salvatore e a esposa _Ela disse isso á meia-voz.
Olhei de lado para o rapaz bonito, que agora fitava a própria bandeja, desfazendo um pãozinho em pedaços com os dedos pálidos e longos. Sua boca se movia muito rapidamente, os lábios perfeitos mal se abrindo. Os outros trẽs ainda pareciam distantes e, no entando, eu sentia que ele estava falando em voz baixa com eles.
Nomes estranhos e incomuns, pensei. O tipo de nome que tẽm os avós. Mas talvez seja moda por aqui _nomes de cidades pequenas? Finalmente me lembrei que minha vizinha se chamava Caroline, um nome perfeitamente comum. Havia duas meninas que se chamavam Jessica na minha turma de história, na minha cidade.
_Eles são... muitos bonitos _Lutei com a patente atenuação da verdade.
_É _concordou Caroline com outra risada_ Mas todos estão juntos ... Stefan e Lexi, e Jasper e Viviany, quero dizer. E eles moram juntos. _Sua voz trazia toda a condenação e o choque da cidade pequena, pensei criticamente. Mas, para ser sincera, tenho que admitir que até em Denver isso provocaria fofocas.
_Quem são os Salvatore? _perguntei._ Eles não parecem parentes ...
_Ah, e não são. O Dr. Salvatore é bem novo, tem uns vinte e tantos ou trinta e poucos anos. Todos foram adotados. Os Hale são mesmo irmãos, gẽmeos... os louros... e são filhos adotivos.
_Parecem meio velhos para filhos adotivos.
_Agora são, Jasper e Lexi têm 18 anos, mais estão com a Sra. Salvatore desde que tinha 8 naos. Ela é tia deles ou coisa assim.
_Isso é bem legal... Eles cuidaram de todas essas crianças, quando eram tão pequenos e tudo isso.
_Acho que sim _admitiu Caroline com relutância, e tive a impressão de que por algum motivo ela não gostava do médico e da esposa. Com os olhares que ela atirava aos filhos adotvios, eu imaginava que o motivo era inveja. _ Mas acho que a Sra. Salvatore não pode ter filhos _acrescentou ela, como se isso diminuísse sua bondade.
Em toda essa conversa, meus olhos disparavam sem para para a mesa onde se acomodava a estranha família. Eles continuavam a olhar para as paredes e não comiam.
_Eles sempre moraram em Mystic Falls? _perguntei. Certamente eu os teria percebido em um dos verões aqui.
_Não _disse ela numa voz que dava a entender que isso devia ser óbvio, até para uma recém-chegada como eu._ Só se mudaram há dois anos, vindo de algum lugar do Alasca.
Senti uma onde de pena, e também alívio. Pena porque, apesar de lindos, eles eram de fora, e claramente não eram aceitos. Alívio por eu não ser a única recém-chegada por aqui, e certamente não ser a mais interessante, por qualquer padrão.
Enquanto eu os examinava, o mais novo, um dos Salvatore, virou-se e encontrou meu olhar, desta vez com uma expressão de evidente curiosidade. Quando desviei os olhos rapidamente, me pareceu que o olhar dele trazia um espécia de expectativa frustada.
_Quem é o garoto de cabelo preto? _perguntei. Eu o espiei pelo canto do olho e ele ainda estava me encarando, mais não aparalhado como os outros alunos. Tinha um expressão meio frustada. Olhei para baixo novamente.
_É o Damon. Ele é lindo, é claro, mais não perca seu tempo. Ele não namora. Ao que parece, nenhuma das meninas daqui é bonita o bastante para ele. _Ela fungou, um caso claro de dor de cotovelo. Eu me perguntei quanp é que ele a tinha rejeitado.
Mordi o lábio para esconder meu sorriso. Depois olhei para ele de novo. Seu rosto estava virado para o outro lado, mais achei que sua bochecha parecia erguida, como se ele também estivesse sorrindo.
Depois de mais alguns minutos, os quatro saíram da mesa juntos. Todos eram muito elegantes _até o grandalhão de cabelo castanho. Era perturbador de ver. O garoto chamado Damon não olhou novamente para mim.
Fiquei sentada á mesa com Caroline e os amigos dela por mais tempo do que teria ficado se eu estivesse sozinha. Estava ansiosa para não me atrasar para as aulas no meu primeiro dia. Uma de minhas novas conhecidas, que me lembrava repetidamente de que seu nome era Bonnie, tinha biologia II comigo no próximo tempo. Seguimos juntas em silêncio para a sala. Elena também era tímida.
Quando entramos na sala, Bonnie foi se sentar em uma carteira de tampo preto exatamente como aquelas que eu costumava usar. Ela já tinha uma vizinha. Na verdade, todas as cadeiras estavam ocupadas, exceto uma. Ao lado do corredor central, reconheci Damon Salvatore por seu cabelo incomum, sentado ao lado daquele lugar vago.
Enquanto eu andava pelo corredor para me apresentar ao professor e conseguir que assinasse minha caderneta, eu o observava furtivamente. Assim que passei, ele de repente ficou rígido em seu lugar. Ele me encarou novamente, encontrando meus olhos com a expressão mais estranha do mundo _ era hostil, furiosa. Desviei os olhos rapidamente, chocada, ruborizando de novo. Tropecei em um livro no caminho e tive que me apoiar na beira de uma mesa. A menina sentada ali riu.
Percebi que os olhos dele eram pretos _pretos como carvão.
O Sr. Banner assinou minha caderneta e me passou um livro, sem nenhum dos absurdos das apresentações. Eu podia dizer que íamos nos dar bem. É claro que ele não teve alternativa a não ser me mandar para o lugar vago no meio da sala. Mantive os olhos baixos enquanto fui me sentar ao lado dele, desconcertada pelo olhar hostil que ele me lançara.
Não olhei para cima ao colocar os livros na carteira e tomar meu lugar, mas, pelo canto do olho, vi sua postura mudar. Ele estava inclinado para longe de mim, sentado na ponta da cadeira, e desviava o rosto como se sentisse algum fedor. Imperceptivelmente, cheirei meu cabelo. Tinha cheiro de morando, o aroma de meu xampu preferido. Parecia um odor bem inocente. Deixei meu cabelo cair no ombro direito, criando uma cortina escura entre nós, e tentei prestar atenção no professor.
Infelizmente a aula era sobre anatomia celular, uma coisa que eu já estudara. De qualquer modo, tomei notas cuidadosamente, sempre olhando para baixo.
Não conseguia deixar de espiar de vez em quando, através da tela de meus cabelos, o estranho garoto sentado ao meu lado. Durante toda a aula, ele não relaxou um minuto da postura rígida na ponta da cadeira, sentando-se o mais distante possível de mim. Eu podia ver que suas mãos na perna esquerda estavam fechadas em punho, os tendões sobressaindo por baixo da pele clara. Isso também ele não relaxou. Estava com as mandas compridas da camisa branca enroladas até o cotovelo e o braço era surpreendentemente rijo e musculoso sob a pele clara. Ele não era nem de longe frágil como parecia ao lado do irmão mais forte.
A aula parecia se arrastar mais do que as outras. Seria porque o dia finalmente estava chegando ao fim, ou porque eu esperava que o punho dele relaxasse? Não aconteceu: ele continuou sentado tão imóvel que nem parecia respirar. Qual era o problema dele? Será que esta era seu comportamento normal? Questionei a avaliação que fiz da amargura de Caroline no almoço de hoje. Talvez ela não fosse tão ressentida quando eu pensava.
Isso não podia ter nada a ver comigo. Até hoje ele nem me conhecia.
Eu o espiei mais uma vez e me arrependi disso. Ele agora me encarava de cima, os olhos pretos cheios de repugnância. Enquanto eu me afastava, escolhendo-me na cadeira, de repente passou por minha cabeça a expressão como se pudesse me matar.
Naquele momento, o sinal tocou alto, fazendo-me pular, e Damon Salvatore estava fora de sua carteira. Com fluidez, ele se levantou de costas para mim _era muito mais alto do que eu pensava_ e estava do lado de fora da porta antes que qualquer outro tivesse saído da carteira.
Fiquei paralisada no meu lugar, encarando inexpressiva as costas dele. Era tão mesquinho. Não era justo. Comecei a pegar minhas coisas devagar, tentando bloquear a raiva que se espalhava em mim, com medo de que meus olhos se enchessem de lágrimas. Por algum motivo, minha ira era canalizada para meus dutos lacrimais. Normalmente, eu chorava quando estava com raiva, um tendência humilhante.
_Você não é a Elena Gilbert? _perguntou uma voz de homem.
Olhei para cima e vi um rapaz bonitinho com cara de bebê, o cabelo louro-claro cuidadosamente penteado com gel com pontas arrumadinhas, sorrindo para mim de maneira simpática. Ele obviamente não achava que eu cheirava mal.
_Elena _eu o corrigi, com um sorriso.
_Meu nome é Matt.
_Oi, Matt.
_Precisa de ajuda para encontrar sua próxima aula?
_Vou para educação física. Acho que posso encontrar o caminho.
_É a minha próxima aula também. _Ele parecia impressionado, mas não era uma coincidência assim tão grande numa escola tão pequena.
Então fomos juntos. Ele era um tagarela. _alimentou a maior parte da conversa, o que facilitou minha vida. Tinha morado na Califórnia até os 10 anos, então sabia como eu me sentia com relação ao sol. Por acaso também era meu colega na aula de inglês. O Mike foi a pessoa mais legal que conheci hoje.
Mas enquanto estávamos no ginásio, ele perguntou:
_E aí, você furou o Damon Salvatore com um lápis ou o quê? Nunca o vi agir daquele jeito.
Eu me encolhi. Então não fui a única a perceber. E ao que parecia aquele não era o comportamento habitual de Damon Salvatore. Decidi me fazer de burra;
_Era o garoto do meu lado na aula de biologia? _perguntei naturalmente.
_Era _disse ele._ Parecia estar sentindo alguma dor ou coisa assim.
_Não sei _respondi_ Nunca falei com ele.
_Ele é um cara estranho. _Mike se demorou ao meu lado em vez de ir para o vestiário_ Se eu estivesse a sorte de me sentar do seu lado, conversaria com você.
Eu sorri para ele antes de ir para a porta do vestiário feminino. Ele era simpático e estava na cara que gostava de mim. Mas não foi o suficiente para atenuar minha irritação.
O professor de educação física, treinador Clapp, encontrou um uniforme para mim mais não me fez vesti-lo para a aula de hoje. Em Denver, só exigiam dois anos de educação física. Aqui, a matéria era obrigatória nos quatro anos. Mystic Falls literalmente era meu inferno particular na Terra.
Fiquei assistindo a quatro partidas de võlei que aconteciam simultaneamente. Lembrando quando lesões eu sofri _e infligi_ jogando võlei, me senti meio nauseada.
O último sinal finalmente tocou. Andei devagar para a secretária para entregar a minha caderneta. A chuva tinha ido embora, mais o vento era forte e mais frio. Eu me abracei.
Ao entrar no escritório aquecido, quase me virei e voltei para fora.
Damon Salvatore estava parado junto é mesa na minha frente. Reconheci de novo aquele cabelo preto desgrenhado. Ele não pareceu ter ouvido minha entrada. Fiquei encostada na parede de trás, torcendo para que a recepcionista ficasse livre.
Ele estava discutindo com ela numa voz baixa e cativante. Rapidamente peguei a essência da discussão. Ele tentava trocar o horário de biologia por qualquer outro horário _qualquer outro.
Não consegui acreditar que fosse por minha causa. Tinha de ser outra coisa, algo que acontecera antes de eu entrar na sala de aula. A expressão dele devia ter siso por outro aborrecimento totalmente diferente. Era impossível que este estranho pudesse ter uma repulsa tão súbita e intensa por mim.
A porta se abriu de novo e de repente uma rajada do vento frio entrou pela sala, espalhando os papéis na mesa, jogando meu cabelo na cara. A menina que entrava limitou-se a ir até a mesa, colocou um bilhete na cesta de arame e saiu novamente. Mas Damon Salvatore se enriqueceu de novo e se virou lentamente para olhar para mim _o rosto era absurdamente lindo _ com olhos penetrantes cheios de ódio. Por um momento, senti um arrepio de puro medo, que eriçou os pelos de meus braços. O olhar só durou um segundo, mas me gelou mais do que o vento frio. Ele voltou a se virar para a recepcionista.
_Então deixa para lá _disse asperamente numa voz de veludo. _ Estou vendo que é impossível. Muito obrigado por sua ajuda. _Virou-se sem olhar para mim, desaparecendo porta afora.
Foi humildemente até a mesa, minha cara branca de imediato ficando vermelha, e entreguei a caderneta assinada.
_Como foi seu primeiro dia, querida? _perguntou a recepcionista num tom maternal.
_Bom _menti, a voz fraca. Ela não pareceu se convencer.
Quando fui para a picape, era quase o último carro no estacionamento. Parecia um abrigo, a coisa mais próxima de uma casa que eu tinha neste buraco verde e úmido. Fiquei sentada lá dentro por um tempo, só olhando, sem enxergar pelo para-brisa. Mas logo estava frio o bastante para precisar do aquecedor, virei a chave e o motor rugiu. Voltei para a casa de Jonh, lutando com as lágrimas por todo o caminho até lá,
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